Quarentena COVID19: Dia 07

Foi uma longa semana. Provavelmente, até agora, a mais longa semana da minha vida.

Nem nos momentos que mais me cobraram apreensão ─ resultado do vestibular, deferimento dos documentos de renda, primeiro dia de aula da graduação, resposta de uma entrevista de estágio ─ essa espera foi tão longa.

Talvez essa sensação venha mais do caráter de tal espera do que de sua intensidade em si: não se trata de uma espera normal. É uma espera totalmente atípica. Em todos os exemplos acima, o aguardo tinha dia e hora para acabar (tirando a resposta da entrevista, talvez?). Em maioria, a só havia dua respostas possíveis: sim ou não.

Apesar da ansiedade causada pela importância de tais respostas, esses fatores possibilitavam um cenário de certa estabilidade. Ora, sabendo que só havia duas respostas, tua cabeça já trabalha com seus dois possíveis futuros.

Mas agora não.

Ao mesmo tempo, essa semana pareceu ser um curto mês ou um único dia realmente muito longo. É como se eu estivesse ainda presa ao dia em que escrevi o último texto, fazendo as mesmas coisas, vestindo a mesma roupa, comendo da mesma comida, tomando os mesmos banhos, pensando os mesmos pensamentos, sentindo os mesmos sentimentos.
Uma vida em looping à espera de… do que exatamente?

Definitivamente não é o mesmo tédio das férias ─ aquele tédio que você cura saindo, vendo os amigos, viajando, fazendo compras em um local diferente. Não, e dessa vez o tédio também não tem data certa para acabar, apesar das previsões institucionais. Bem sabemos que, ao menos aqui, estamos apenas no começo.

MAS CALMA.

Meu objetivo neste post definitivamente não é manter essa linha de angústia. Não, pelo contrário, eu quero tratar aqui é justamente sobre o que me tirou deste torpor generalizado.

Pessoas.

Uma das principais maneiras de prevenir e conter o contágio do COVID19 é os distanciamento social físico. Porém, ao adotar essa medida, meu erro foi ter subestimado seu impacto na vida diária.

Assim, mantive o resto do que me era comum nos meus dias em casa: trabalho, redes sociais, música, cozinhar, limpar, novela e BBB à noite.
E basicamente esses foram meus dias, onde a única interação social se dava com a amiga com quem moro, que segue mais ou menos o mesmo roteiro diariamente. Basicamente, o ponto alto da semana foi durante o panelaço, onde eu gritei pela janela com os demais vizinhos.

De resto? Tédio, angústia, sono desregulado.

Até ontem. Hoje (sábado), acordei disposta. Me vesti como quem fosse aproveitar a manhã ensolarada para fazer feira na Redenção. Ajeitei o cabelo, formei os cachos, dei um volume. Parei na janela, tentei pegar sol por ela. Resolvi fazer um almoço diferente do que eu costumo fazer. Escolhi uma série para assistirmos (sim, isso é um diferencial pois quase não vejo séries).

Então, o que mudou de um dia para o outro e me fez ter um sábado tão agradável, comparado a todos os outros dias até aqui?

Vi meus amigos ontem. Amigos que não via há tempos, que há muito não conseguimos reunir pois estamos espalhados pelo Brasil. Porém dessa vez passamos a noite de sexta juntos em chamada de vídeo: conversamos, matamos tempo, gargalhamos, bebemos juntos (eu água, eles vinho). Por volta de 2 horas, nós estivemos próximos apesar da distância.

E mesmo que estejamos acostumados a conversar pelo Whatsapp, mensagens no Instagram ou Twitter, ter visto seus rostos, escutado suas vozes e risadas me trouxe um boost de energia que eu nem sabia que me faltava tanto.

Era o contato humano que me faltava, só que sem apresentar riscos a ninguém.

Enfim, se há algo que eu posso aconselhar a todos é: procurem ter esse momento com quem vocês gostam. A tecnologia pode nos trazer facilidades maravilhosas como mensagens instantâneas e fotos, vídeos curtos e etc. Mas essa efemeridade no dia a dia acaba por “despersonificar” nossos contatos sem nem notarmos. E ao fim, passamos uma semana inteira conectados às redes, e ainda assim, nos sentindo completamente sufocados e mais desconectados do que nunca.

A conclusão é de que o isolamento social é algo pesado e profundamente impactante. Uma vez que temos que adotar isso, é preciso que adaptemos outras funções e práticas no nosso dia-a-dia que possam diminuir os danos de tal medida.

Cuidem-se. Cuidem dos seus. Fiquem em casa, se assim puderem. Mas fique atento às demais formas de cuidados de saúde, física e emocionalmente.

2 comentários em “Quarentena COVID19: Dia 07

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